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Dead and Gone

O meu ano foi tão corrido e cheio de fatos que preciso me fazer da metáfora do trem bala para explica-lo porque não poderia termina-lo se não fosse assim, descrevendo esta parada, nesta estação. Se no princípio o tempo parecia escuro, na verdade ele era bem cinza do tipo que a gente não sabe se tudo aquilo vai virar treva ou simplesmente o sol vai aparecer e botar calor no meio de tudo. Deus me fez maquinista

Sem contar as horas nos dedos, repentinamente vi-me sobre trilhos de nuvens, sob rochas geladas e percurso de ferro sob nuvens, bem perto daqui e tão longe de lá. A vontade de chegar era tão grande que, sem um mapa nas mãos, tratei de buscar caminhos bem sólidos perto de mim. Aliás, perto não, dentro; e assim prossegui. Faltou-me tempo.

Contudo, consegui brincar de Dom Quixote e como quem pilota algo super veloz e intenso, conseguir dar uns pulinhos e aproveitar o terreno em volta para combater meus moinhos de ventos que se faziam fortes, tenazes, tangíveis e oníricos, verdade, tinham horas que o sonho e a realidade era dois vizinhos que se apaixonavam e pulava suas janelas. Faltou-me tempo de ver direito, mas a viagem não podia parar.

Corre o trem, a chaminé tem som de sino que fica pra lá e pra cá. BQ BQ BQ, me deixou pra lá e pra cá. Fui entendendo que pra se manter firme é preciso se organizar e a dor não pode rimar. No começou,  aquilo que era orgânico sabia me desconsertar.

Num descuido, o mapa vôo, fugiu pela janela. Havia só um pedaço de tábua e o vento pra lá e pra cá.

As palavras ficaram poucas mas junto com isso fui subtraindo meu pesar. O coração precisa de ombros largos e firmes pra suportar seu fel. Diante dos dissabores, decidi não ser amargo porque não conseguem levar meu coração tão fácil. Menino que gosta de doce não é tão fácil de iludir, a viagem tinha de continuar.

A proposta, o orgulho, a falta, a raiva, o sucesso, o elogio, o sacrifício todos juntos, se estivessem na metáfora do livro, poderia ser um capítulo mas como estamos na do trem, atribuo a eles um vagão. À alguns, eu dou até mais de um andar. Bota lenha pra o negócio funcionar!  Passado o tempo, agora é hora de descansar. A viagem é longa, o maquinista está com mais consciência e lá em cima sabem pra onde o levar.

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Passado o momento, brainstorm pseudo-poético, continuo a falar…

Certa vez ouvi que Um limite depois de ultrapassado, é impossível voltar e isso me tocou profundamente. Foi bem assim que, neste ano que se passou, tentei seriamente brincar.  Superei vários obstáculos e pela primeira vez na vida entendi o valor mais profundo e exato de tal verbo. Tive muitos contratempos, aperreios, decepções mas ao mesmo tempo conquistei coisas interessantes que me dão muita alegria e um honesto e nem um pouco arrogante orgulho de ter chegado lá.

Depois de todos os acontecimentos dos últimos 12 meses, tenho o sentimento correto para incentivar qualquer pessoa a perceber a importância de lutar. É assim que se alcançam objetivos, muda-se uma conduta e compreende-se o valor e a razão dos sacrifícios. Em momento nenhum, nossa última opção é chorar.

É preciso ter fé e agradecer na proporção correta. A vida não é feita de fórmulas mas cada um pode atingir algo com passos firmes e bem definidos, apenas com o bom uso de uma importante ferramenta: o observar. Por que não escrever o seu próprio mapa?

Estou cheio de novas metas e esperançoso de alcançá-las no ano que se aproxima e desde que vim morar nesta cidade nunca me senti assim. Sonhos bem anotados na mente e que nem me consomem tanto quando antes, nem arrancam-me cabelos por tentar imaginar como serão atingidos, acredito serem os mais propícios a serem colocados em prática. Quando algo é nosso e nós fazemos por onde, é praticamente impossível  não chegar lá se você souber equilibrar prudência com seu lado mais destemido. Importante é mesmo ser um bom malabarista do seu eu.

É como diz aquela música, o velho eu está morto e desaparecido. Eu acredito, no sentido mais filosófico, que a gente reencarna na mesma vida e abre novos rumos à nossa existência. Só não consigo medir o tamanho exato disso tudo a partir de agora. Fui pra outro lugar simplesmente porque precisava caminhar e assim continuo o mesmo, saindo, criando, interrogando e produzindo algo. Hei de chegar ao meu devido lugar. É uma viagem constante que não pode parar. O grande desafio é constante:  lutar ao lado da minha mente para nunca enferrujá-la

Um bom ano a todos que lêem meu blog. Continuo sempre postando por aqui, bem como no meu twitter e tumblr. Feliz Natal e próspero Ano Novo, sinceramente!

Valeu a passagem

 

Está insuportável a quantidade de pedintes nos ônibus aqui em Recife. Eu me sentia preconceituoso por achá-los incômodos, mas hoje vi que tenho razão:

Estava eu dentro do ônibus nas minhas tradicionais idas ao laboratório, como sempre atrasado para meu destino, com o iPod ao pé do ouvido e escutando minhas intermináveis playlists com toda a sorte de música. Entrou uma senhora com aparência humilde, parecia mesmo aquelas moradoras de sítio que via na feira, quando pequeno, valendo-se do velho argumento ‘Tenho uma filha doente..e blá blá blá’, em alto e bom som de discusso apelativo.  Não fiz cara nenhuma e, mentalmente, desejei uma resposta para meus pensamentos, incrédulo, voltei às minhas músicas.

Eis que chegamos a uma nova parada da imensa Av.Caxangá, onde uma senhora mais velha, com jeito de doida, entrou repentinamente e já foi falando alto e por cima da outra. Um atropelo.

Tirei o fone de ouvido para ver no que ia dar a história. Diante de surdos, mudos, cantadores, trombadinhas e camponesas, ali parecia uma história diferente daquelas que estou habituado a presenciar todos os dias quando vou/volto à Universidade.

A velha senhora não hesitou e deu continuidade…

”Em nome de…Jesus!  Qualquer coisa serve..o pouco pra Deus é muito!’ (coloque aqui um sotaque nordestino+melodia de cantoria)

[COITADA] da outra

Fiquei com pena da outra pedinte que até parecia honesta e que fazia aquilo, ou por necessidade ou por ‘vitimismo’ dos problemas sociais. Meu pensamento foi rápido, achei mesmo que não era exagero meu, ver a Máfia do Esmoleiro, tão clara perante os meus olhos.

A primeira foi caladinha para o canto e puxou a cordinha.  Senti um aperto na goela, mas todo o meu dinheiro era 30 centavos (sim, meu amigo e minha amiga, vida de estudante universitário não é fácil). O motorista acabou queimando a parada e ela falou mais alto pedindo parada. Eis que a intrusa grita ”Não para não, ela desce na outra”.  Contudo, ele ouviu e a mesma saiu do veículo.

O homem é lobo do homem, por certo.

Comecei a rir sem acreditar no que via, depois percebendo que ninguém estava nem aí para o tamanho da ousadia daquela mulher, que depois ainda veio pedir qualquer coisa diretamente a mim, quase batendo no meu ombro. Inútil!  Lamentei não ter dinheiro, lamentei por viver no Brasil, lamentei por me achar preconceituoso. É só a realidade, desconhecida por ‘muitos nós’ , presente como o ar. Letal e sofrida para a maioria!

A desigualdade social não é estática, insistimos em esquecer…

 

Saí com uma resposta da vida,  pensativo sobre o mundo em que vivo e quem sabe até um ser-humano melhor. Estou certo que momentos como esse valem como uma verdadeira passagem.

Hasta la vista!


Entre Guerras-Santas e Auto-Insurreições

Conheço poucos Ateus verdadeiros. A maioria simplesmente discorda do Cristianismo Patológico Brutal imposto por nossa Sociedade Católica.

Nascemos e crescemos sob a aureola santificante da confissão eterna que redime quaisquer pecados, somos escravos do medo de morrer, da dor de aceitar nossa péssima condição como se fosse a vontade pura de Deus, sem o direito de questionar. Foram tão tolos os que conceberam esse padrão e jogaram-no no mundo com a idéia que o mesmo seria aceito continuamente ao longo dos séculos, amém. Doce ilusão, maldita ideologia perfeita falha.

Sou espírita por fé e convicção, embora, que fique claro, essa não seja a base do meu argumento, doravante tamanha senilidade do mesmo. Acredito que cada um tem direito de amar, fazer ritual, idolatrar e até dar a própria vida por aquilo quem bem entende. Sempre declaro em discussões desse tipo frases como ‘Se eu quiser justificar minha fé, arranjo 1000 argumentos. Se você quiser discordar, use de outros 1000 existentes’ e não chegaremos a lugar nenhum, sem o mínimo respeito. Essa não é a vontade de Alá, Jesus, Buda, Oxalá ou seja quem for, talvez a do demônio, se ele existir pra você…e blá blá blá, pá pá pá, veja…

O Brasil é um país controverso e intrigante. Somos formados por tantas raízes, gritamos por reconhecimento de nossa democracia cultural, racial e filosófica mas funcionamos como o bixo que luta pela morte mesmo dentro do fundo do poço. Tão inútil não respeitar. Existem problemas e desprezar o outro como anjo perdido é mais burrice que simples intolerância.

Dentro do coração de quem costura nomes em bocas de sapo, de quem só enxerga um palmo além da caverna de Platão ou de quem acredita na imagem de Nossa Senhora como santa, mesmo sendo proibida adoração, segundo o livro sagrado: O SEU livro Sagrado, nunca se esqueça! , existe algo maior que um julgamento superficial pode concluir. Debaixo de uma caixa craniana pulsa um cérebro, sentimentos  que erroneamente confundimos com o coração. Sim, é sob nossos pensamentos que surgem as mais diversas e respeitosas idéias sobre fé, sobre razão em ter um Deus ou simplesmente afastar-se da idéia dele sem querer ser bom ou fazer coisas boas por ética ou boa natureza independente da divindade X.

É o direito de cada um. A força que rege a cada um de nós é a que permitimos, seja ela conectada com outra ou não, pode ser condicionada, mas nunca negada com provas suficientemente aceitáveis.

Vamos amar o respeito, a liberdade de culto, as crenças individuais sem desrespeito e desamor. Dentro desse mundo descubramos nossa nicho, a razão que nos governa e que o Amor, caso ele seja importante pra ti,  possa unir o que há de comum e que salve da grande doença aqueles todos que precisam. É hora de quem se nega a olhar pra algo diferente superar a condição de vítima e saber o que realmente se quer, ninguém consegue ser feliz vivendo uma vida de revoltas. Sejamos plurais como sempre, todos nascemos com a condição de ter forças. Ainda bem!

Das definições de amizade

Estava falando com amigos sobre algumas das pessoas que nós conhecemos e disse que gostava muito de alguém : ”Ela lá e eu cá”

Sabiamente fui lembrado que quando gostamos de alguém longe da gente, não gostamos. Se eu levar isso bem a sério, tiro o título de amigo de uma pá de gente da minha vida. Vou encarar o desafio.

Enquanto alguns deveriam parar de bancar que são meus amigos, eu deveria para de fingir pra mim mesmo que a convivência com algumas pessoas é real. Só me procuram quando precisam, só se importam comigo quando sobra tempo (e olhe lá) e, por mais que isso seja duro não adianta se enganar. Dose dura de realidade é prato de entrada pra uma vida mais feliz. Bom mesmo é ver-se livre de certas perspectivas e mudar, afinal pra isso não se depende de outrem

Direito final

Eu vi a dita cuja. Não que este fato vá mudar a minha vida mas valeu ao menos uma longa reflexão, afinal, a criatura foi a mulher que mais amei na vida e que de longe merecia metade do que eu dei e tinha guardado para compartilhar. Dizem que o corpo suporta somente duas vezes, em toda a vida, a força das reações de uma paixão, não sei se a estatística é verdade quando vem seguida de amor. Isso ainda me importa

Foi sofrido por muitos dias, que mais pareciam anos, hoje, é indiferente e nenhum pouco nocivo. Cresci. Contudo, nada tira o fato que eu vi a cena ou, falando melhor, uma encenação das grandes e por esta razão me irrito de maneira quase cidadã.

Como pode alguém viver feliz assim? Quanto vale o peso de sustentar uma mentira? Quanto tempo é possível segurar uma barra assim? As respostas são incompletas e concomitantemente certeiras usando-se de senso comum: Pode-se viver sustentando uma mentira mas não por muito tempo. Os danos são certos, mas as pessoas insistem (um direito, claro)

Enfim, assim como sempre, nossas vidas nunca andaram iguais e nos momentos que tudo esteve mais próximo só um coração se enganou (não aconteceu). Hoje passou como você passou por mim, você não me ver porque não é mais necessário e eu só te avistei pra perceber que não preciso disso. Naquele momento exorcizei a raiva e a pena com sabedoria, compaixão por muito tempo foi crucifixo, hoje, é água benta. É melhor você bem longe de mim. Qualquer coisa com você: Nunca mais

Sarnento

Que a crise no senado, na política e em todos os setores brasileiros já passou dos limites e extrapolou a barreira maior da falta de ética, todo mundo já está cansado de saber. Agora a gente só pode reclamar, fazer valer alguma coisa a nossa democracia e dizer que é preciso rir sem, jamais se alienar, para enfrentar as dificuldades de se construir um país melhor. Um abraço especial pra Roberto Jéferson, Collor, ACM, Sarney, Maluf, FHC e pro Lula

Fuhhhhhh

Como nós dizemos aqui no Nordeste, efeitos e tolerância ao fumo são quase um pastoril com dois motes diferentes que divide as opiniões quase que semelhante a torcidas de futebol. De um lado, os fumantes que se valem do próprio livre arbítrio para defender o vício, o cheiro do tabaco e, os mais invocados, a indiferença diante das milhares doenças e problemas decorrentes do tal hábito. com a simples plaquinha do f***-se para qualquer um que queira lhe alertar sobre a problemática.

Sei que para quem fuma deve ser muito chato agüentar constantemente as pessoas dizendo que elas parem com aquilo que o pulmão vai ficar preto, que vai morrer com falta de e blá blá blá. Concordo plenamente que é chato ficar ouvindo ordens de desconhecidos, professores e amigos como se essas pessoas fossem as donas da sua vida. É fato que quando alguém te sugere algo desse tipo, seja como for, a pessoa está querendo seu bem.

Prestes a entrar em vigor, a lei que proíbe fumar em locais fechados, aprovada em São Paulo, gera a polêmica esperada mas por razões bobas e egoístas. Afinal, por que tanta reclamação se é óbvio que vai ser melhor pra todo mundo? A partir de agora entro em um terreno complicado e subjetivo, buscarei clareza…

Se você já esteve em um __________ (escreva aqui qualquer lugar fechado ex: boate, barzinho, festas no ap) sabe que de perfumes a drogas ilícitas, praticamente todos os cheiros podem ser sentidos se o ambiente não contribuir com a circulação de ar necessária. Nós não fumantes, ainda em maioria, acabamos sofrendo com o mal cheiro forçoso, irritações nos olhos, pigarros e, para os mais frágeis, até engasgo e crises respiratórias por causa da fumaça.

Sei que é injusto extinguir ao menos as áreas para os fumantes já que, enquanto vício ou produto proporcionador de bem estar que causa dependência (definição bem estranha essa), é difícil controlar a mente e as vontades nesse nível, ainda mais quando não se liga para os efeitos cigarro. Contudo, roubar o direito de fazer o que se quer nem sempre é ilegítimo já as leis visam o bem-estar geral e o acomodamento da maioria dos indivíduos.

Está provado que fumantes passivos sofrem danos consideráveis no sistema respiratório de acordo com o tempo de exposição e fatores genéticos de resistência tecidual, inclusive uma maior pré-disposição ao câncer, dentre outras patologias. O cigarro pode relaxar os usuários mas causa irritação e estresse para os não fumantes, aumentando a tensão coronária de ambos por causas diferentes. Por último, o básico e mais difícil: bom senso.

Da mesma forma que é ruim agüentar imposições alheias, legais (juridicamente falando) ou não, para um lado, o outro, dos não usuários, sofrem na mesma proporção do mesmo mal. A legislação prevê o comportamento que deve ser seguido para a maioria , político faz lei, político representa o povo, logo, na teoria, a tal lei é coerentemente justa. É claro que alguns pontos precisam ser ajustados e nenhuma decisão é unânime mas, cá pra nós, vai ser um alívio não conviver com baforadas e mal cheiro em um monte de ambientes, podendo exigir a conduta correta sem parecer chatinho e politicamente correto. Na dúvida, argumenta sobre ética, puxa assunto e, quem sabe, não ganha uma nova amizade

Alice in Chains – Nutshell


Like a drop

Vi no twitter que a MTV Brasil está com uma proposta de produzir programas de 15 minutos, baseados na velocidade da informação nos tempos modernos. O curioso é que as chamadas na programação falam de um ato tão estranho para a nova geração, a.k.a ler um livro. Como Nerd e cidadão, fico pensando o quanto o conceito de WEB 2.0 , cuja interação (ou pseudo) é o maior dogma a ser discutido, é capaz de influenciar na absorção de conteúdo de nossas mentes. Na minha cabeça, é como se desistissem de incentivar direta ou indiretamente as pessoas a lerem para ficarem ao lado deles na tv, nem que fosse por um tantinho, suficiente para meter uma propaganda na cabeça, e pouco se importassem realmente em como folhas de papel em capítulos podem mudar sua vida. O fato é que as pessoas andam rápidas e que, em vez de receberem imposições, preferem buscar na internet qualquer tipo de informação menos passiva.

Pensem comigo: 15 minutos é tempo suficiente para acessar uns 5 sites de notícias, abrir os feeds, carregar uns vídeos ou baixar algumas músicas, escrever num blog, flodar no twitter, mandar email para um professor, baixar vários ebooks, ver os lançamentos musicais no youtube, começar o download de um seriado via torrent… Alguns desses itens ao mesmo tempo, outros não, mas sempre com a eterna magia de você escolher o que quer fazer.

Se as pessoas jovens não conseguem passar mais que 900 segundos concentradas em um vídeo que exigem bem menos esforço cognitivo, imaginem sentar por várias horas diante de palavras que causam mal estar bem antes de confundir a mente. Nada forçado provou em termo de conteúdo e entretenimento cultural, provou sua eficiência eterna até hoje. O que vocês pensam disso somando os conceitos de democracia, livre arbítrio e ética em suas programações?

_ora do Pl_ne_a

Esse post começa a ser escrito exatamente às 20:30 desse Sábado 28 de Março de 2009. Tenho todas as luzes de casa apagadas e resta somente um computador ligado e um Nerd (ou seria adolescente?) pensando algo criativo para fazer seu protesto. A tal hora do Planeta visa protestar sobre todas essas coisas que já estamos cansados de discutir sobre aquecimento global e reclamar mais uma vez, sem muitas soluções.

Além de poucas saídas, corremos todos os risco de parecermos bobos já que inocentes é um adjetivo certeiro.Tudo porque, diga-se de passagem, não são as pessoas físicas que contribuem com maior agressividade em tal processo, sendo assim, exceto a idéia de montante, tudo parece valer muito pouco se não chegar às grandes empresas e à consciência dos países industrializados sem blá blá blás e mimimis, bem como dos emergentes como o Brasil, que adoram copiar modelos de desenvolvimento tão eficientes como os dos EUA e da Europa.

A idéia de tão boba vive seu dia de Hype, digo, seus 60 e poucos minutos vezes x , como você pode acompanhar no twitter, no site oficial ou no flickr,  já que olhando pelas janelas é quase impossível ver janelas não iluminadas neste exato momento.  Falando em economizar energia, evitar aquecimentos e coisas afins, lembrei do Google Black e da importância do preto em templates e aparências de programas, que geram uma economia de energia de 74 para 59 watts, sabe-se lá por quanto tempo…

Ih! Greja

A família Nardone comemora nesta semana que se inicia o fim dos ecos mais ruidosos de sua aparição na faixa Crimes que chocam o Brasil. A nova trama é composta por ingredientes para lá de polêmicos e, permitam-me a licença poética, o José Bonifácio (mídia brasileira) está tão feliz por ter um novo prato a saborear que mal pode esperar que seus correspondentes façam a nova receita estourar feito bomba.

O caso da menina de 9 anos que foi estuprada, estava grávida e foi submetida a um aborto assistido de uma equipe de médicos traz consigo tantos panos pra manga que fica até difícil esquecer o que comentar. Eu escolho a Igreja Católica!

Poderíamos argumentar ferozmente embasados em razões embriológicas atreladas a questões filosóficas ou talvez encher-nos de bíblia para dizer que matar crianças filhas de outra violentada e inconsciente é um atitude extremamente errada ou que tomaram a atitude correta. Eu acho que nessas horas não adianta bancar o puritano e dono da verdade e apontar os caminhos a serem considerados como os únicos ; necessita-se ser democrático e justo até mesmo na liberdade que cada um tem em querer ou não posicionar-se e levar em consideração aquilo que se acha mais justo, sem exageros. É idiossincrasia, dogma e ciência mais uma vez conflitando a razão humana e sacudindo em um saco de sorteio sem prêmios, tendencioso e relativo.

A essa altura desse texto quero fazer uma viagem no tempo em 500 anos. Estamos em um mundo tenso já acostumado com a opressão religiosa no qual bruxos, cientistas, filósofos e mártires são queimados por duvidarem e sugerirem observações diferentes. Discordou? Queima. Sugeriu? Queima. Resistiu? Mata (queimado, por gentileza). A Fogueira Santa não poupou nem mesmo a cultura, o maior legado do homem –isso porque eu chamo a opressão ampla e irrestrita de carbonização- e século a século a corrente em torno do soberano poder da Igreja Católica sempre está em questão.

Voltando aos fatos recentes, a família da garota foi excomungada da Igreja, bem como os médicos que pertenciam a tal religião ativamente, segundo os mesmos, mas o estuprador não. Como não chamar isso de represália?

Com o apoio do Vaticano, o Arcebispo de Recife/Olinda José Cardoso Sobrinho fez cumprir o imaculado papel da opinião da igreja perante a todas as questões polêmicas modernas, sem muita discussão e abertura para um questionamento mais amplo e até respeitoso. A Igreja Católica, lamentavelmente, ainda porta-se como a detentora da verdade soberana no que cerne a idéia de Deus e dos mandamentos implícitos da boa conduta de seus dogmas. Não é curiosa a manifestação de tantas pessoas a tais posições visto que, partindo do ponto de vista de que a Igreja é apenas mais um instituição e, no meio de milhões de alternativas, apenas mais uma maneira de enxergar as coisas e de exercer a religiosidade e a fé. Talvez ela não tivesse mais nada com isso se as pessoas não a vissem como um estado a parte, um poder, mais forte que ‘os poderes’ , soberano, que controla todos os outros. Convém parar e repensar: como cada um de nós enxergamos a situação e enxergaríamos os fatos sem a intervenção dessa instituição com relevância indubitável na história da humanidade mas com atuação questionável na pós-modernidade, confrontando com nossos credos e maneiras de entender as forças que controlam a sociedade? Respira fundo e começa!

Eu sou contra a violência, estupro e quaisquer formas de abuso mas, nesse caso, confesso que não tenho as bases adequadas para tomar uma posição satisfatoriamente justa. Talvez um bom caminho fosse evitar um maior número de mortes mas o que ia acontecer 5 meses depois é difícil de prever (a Deus e o destino pertencem…). Sou firme em criticar apenas as posições de Donos da Visão Religiosa sejam eles ateus, fiéis fervorosos e céticos. Isso sim é difícil de engolir.

*postado originalmente no misturinha

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